segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Soneto Vazio


Vivo na noite das trevas
Quando a hipocrisia dorme
Saio à procura de algo

 Algo que preencha o meu vazio
Procuro algo que não sei
Uma coisa que me foi tirada

Algo que não se pode tocar
Apenas sentir
Porque ainda não tenho força
Para ter tal sensação

Vivo me esgueirando na noite escura
Sonhando em algo
Que preencha o meu vazio
Que acabe com a dor da minha alma

Canção do Meu Exílio


Minha terra não tem palmeiras,
Nem canta o maldito sabiá
As aves aqui não gorjeiam,
Pois ganem as vozes que tento calar
Minha terra não tem bosques,
È feita de uma só cor
Nela, transcorre um fio de vida
Estreito demais para abrigar o amor
As flores nascem fedorentas,
Do solo da minha terra morta
Mas nascem cheios de ira os espinhos
E minha carne em ódio se corta
Meus olhos arregalados vagam sozinhos
A procurar criaturas nojentas
Como eu, que venham a vagar,
Por meu vasto e vazio império,
Venham me espreitar
No meu cemitério,
O submundo da minha mente,
A claridade por aqui não passa
Pois em meu negro coração é ausente
E nada o fará bater, faça o que se faça
Pois em meu antro, a vida é uma especiaria
E um tesouro é a sanidade
Servida está, em todo o canto, a agonia
Os lagos são podres e salgados
Pois são feitos de lágrimas de saudade,
Sonhos, amores que morreram afogados
A infância, estrondoso relâmpago,
A inocência que ainda não conheci,
Passou rápido, mudo feito um afago
Quando tentei reencontrar foi quando morri...

Oração das Trevas


Sou o que vem das trevas
Maldito seja o meu nome
Venha a nos nosso reino
Seja feita nossa vontade
Assim na terra como
Nas trevas
O sangue nosso de cada noite
Dou-lhe hoje
Odeia-me as minhas ofensas
Assim como odeio os que têm
Ofendindo-me
Mas absorvermos o mal

Caos