quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nota de dó

O que ouço não me toca
Notas tristes em notas embebidas
E quando sorria
Percebia
Que a tristeza era a forma

Ouço de tudo
Mas o bom ouvinte sempre obedece
Os sons tristes das suas notas
Com sua voz de timbre
Parece que finge

Nas modeladas do ouvir
Na falsidade de cada toque
Nós fingimos que somos mais
Que a triste forma
Velha, morta e sem som

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Flores

De que adianta ter gente
que me joga flores
se nem ao menos posso ver as cores
além da escuridão latente?
De que me adiantam flores
se não sinto os odores
nada ouço além de vozes doces
que somem além da escuridão
e mãos que se fecham na minha solidão?
Não se cansam de cair as flores
queda inútil, à lama levará
assim como eu, o que cair apodrecerá
o fracasso exibe sua imagem e seus horrores
Malditas sejam as flores a perturbar-me a razão
assistindo à minha condição
adoçando com dó meus dissabores
Afundem todas as flores e não me venham com piedade
nem memória, nem saudade
nem feridas ou vãos amores
Deixem-me só as flores
só com migalhas de pensamentos
abortados sentimentos
queridas e inúteis dores
que na carne me fazem humana,
ferem a criatura desumana
Cresce da fúria do abandono,
junto ao olho e o escuro adorno,
meu ódio, minha força que ascenderá
não flores,
mas a vida que deu a elas as cores,
me vingará




terça-feira, 23 de março de 2010


Lágrimas depressivas 


É assim todo o dia 
O sol clareia brando 
A lua suaviza meu pranto 
Medito sobre minha vida vazia 


Lágrimas de suplício 
Lágrimas geladas... 
Lágrimas desperdiçadas... 
Tentando aliviar meu martírio 


E eu odeio tudo isso 
Odeio sentir essa tortura 
Ser seguida por essa amargura 
Até já tentei suicídio 


Minha lamúria 
Meu terror que queima minha alma 
Minha mortificação que não me deixa ter calma 
Minha eterna fúria 


Lágrimas... 
Lágrimas de dor 
Lágrimas sem amor 
Mágoas... 


Tentei me afogar 
Nessa lamentação inútil 
Nesse lamento fútil 
Na bruma que disfarça o mar 


Mas isso não me protegeu 
Só me trouxe mais aflição 
Só trouxe minha crucificação 
Mas isso não me abateu 


Pois, assim como eu 
Nesse mundo profano 
Sufocado nesse desejo insano 
Muita gente morreu... 


Nessa imortal depressão

domingo, 7 de março de 2010


Ando na rua
Observo as pessoas
Todas fúteis iguais

Prefiro morrer
A ficar do lado dessa gente
De alma vazia

Sufocam-me com sua
A sua ignorância

Tratam-me como louco
Pois n ao sigo o padrão deles
Isolo-me como se fosse um leproso
Porque não sigo o padrão deles

 Fico num canto escuro
Sendo apedrejado
Pela sociedade
Pagando o preço
De ser normal

VIDA ILUSORIA


Estou sem rumo, minha vida não tem mais sentido... 
Não tenho mais nada a fazer nesse mundo, 
Por favor, me leve... 
Leve-me para onde nenhum ser hipócrita possa ir... 
Ando pelas ruas da vida sem destino... 
Meu caminho esta cheio de armadilhas. 
Nunca consigo escapar, todos parecem conspirar contra mim... 
O destino me reserva mais perigos, 
Preciso me preparar para enfrentar eles com muita garra... 
Mas a coragem e pouca, me faltam muito... 
Prefiro não enfrentar nada... 
Sou covarde mesmo, mas prefiro morrer consciente... 
Que viver me enganando com ilusões idiotas... 
Minha vida e uma ilusão... 
Acordei para a realidade... 
Minha vida e deprimente... 
Essa e a única certeza que eu tenho... 
Deprimente, mas essa e a minha vida, 
Minha salvação e me afogar no mesmo mar de lagrimas 
No qual afoguei meu amado... 
Escrevo essa poesia molhando o papel... 
Com as lagrimas do meu sofrimento... 
E depois a coloco para secar... 
E vejo que a tristeza que sai do papel... 
Entra na minha alma que agora chora... 
Petrificada pelo sofrimento que me persegue... 
Estou morrendo... 

Amor impossível


Amores impossíveis, 
parece que é o que quisermos ter, 
sempre agrada um sorriso, 
que é impossível ter. 
Minha cabeça pede palavras, 
para o que eu quero ser, 
magoei minha amiga, 
não sei mais o que fazer. 
Desculpa minha amiga, 
sei que não mereço perdão, 
criei uma lágrima no seu coração 
sem ter chance de outra opção. 
Te amei sem perceber, 
que era uma admiração forte por você, 
a amizade se fundiu com o amor, 
e o arrependimento se tornou uma dor. 
Fui sincero como eu pude, 
a sinceridade enfim matou, 
o que nós tinhamos juntos, 
e assim o amor se foi 
Desculpa por transformá-la 
em uma escrava do amor, 
antes você era apenas uma menina 
sem saber a dor do amor. 
Fui sincero nas palavras 
e a palavra foi acabou, 
espero que sejamos amigos, 
para aproveitar o que restou.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Soneto Vazio


Vivo na noite das trevas
Quando a hipocrisia dorme
Saio à procura de algo

 Algo que preencha o meu vazio
Procuro algo que não sei
Uma coisa que me foi tirada

Algo que não se pode tocar
Apenas sentir
Porque ainda não tenho força
Para ter tal sensação

Vivo me esgueirando na noite escura
Sonhando em algo
Que preencha o meu vazio
Que acabe com a dor da minha alma

Canção do Meu Exílio


Minha terra não tem palmeiras,
Nem canta o maldito sabiá
As aves aqui não gorjeiam,
Pois ganem as vozes que tento calar
Minha terra não tem bosques,
È feita de uma só cor
Nela, transcorre um fio de vida
Estreito demais para abrigar o amor
As flores nascem fedorentas,
Do solo da minha terra morta
Mas nascem cheios de ira os espinhos
E minha carne em ódio se corta
Meus olhos arregalados vagam sozinhos
A procurar criaturas nojentas
Como eu, que venham a vagar,
Por meu vasto e vazio império,
Venham me espreitar
No meu cemitério,
O submundo da minha mente,
A claridade por aqui não passa
Pois em meu negro coração é ausente
E nada o fará bater, faça o que se faça
Pois em meu antro, a vida é uma especiaria
E um tesouro é a sanidade
Servida está, em todo o canto, a agonia
Os lagos são podres e salgados
Pois são feitos de lágrimas de saudade,
Sonhos, amores que morreram afogados
A infância, estrondoso relâmpago,
A inocência que ainda não conheci,
Passou rápido, mudo feito um afago
Quando tentei reencontrar foi quando morri...

Oração das Trevas


Sou o que vem das trevas
Maldito seja o meu nome
Venha a nos nosso reino
Seja feita nossa vontade
Assim na terra como
Nas trevas
O sangue nosso de cada noite
Dou-lhe hoje
Odeia-me as minhas ofensas
Assim como odeio os que têm
Ofendindo-me
Mas absorvermos o mal

Caos

domingo, 17 de janeiro de 2010

Noite vazia



No vazio de toda noite 
Me sinto tão livre, tão liberta 
Não preciso mais daquela foice 
Agora estou com a mente aberta. 
A lua em silêncio me observa 
A brisa leve toca meu rosto 
Esse é o paraíso que me reserva 
A parte de minha vida que tenho gosto. 
É nesse maravilhoso momento do dia 
Que desperto meu ser escondido 
Me livro de toda melancolia 
E me entrego ao sentimento proibido. 
Quando o dia volta a raiar 
Começo de novo a ver rostos 
Rostos que gostam de enganar 
Com suas falsidades e injúrias que dão desgosto. 
Por isso prefiro a noite perambular 
Pois assim não haverão rostos com os quais odiar.